Bando de Brincantes

Experimentos Sensíveis

BIBOBIDEBIBIQUÉTI

Viviane Juguero desenvolveu a ideia de Bibobidebibiquéti a partir de sua experiência como mãe. Seu sonho é apresentar a peça em um ambiente que acolha os bebês com diversas sensações sensoriais. Quando a pandemia chegou, sua família ficou em isolamento social e perdeu o emprego. Nessa situação, surgiu uma seleção pública relâmpago como um apelo emergencial para ajudar artistas com orçamento limitado. Nesse contexto, ela convidou seu marido, Éder Rosa, para criar uma versão digital experimental da ideia inicial. A proposta foi selecionada e essa doce aventura começou. A peça foi filmada na sala de estar do pequeno apartamento onde os artistas ficaram hospedados por alguns dias. A edição foi feita com um simples celular. A trilha sonora foi criada por Everton Rodrigues, baseada na canção “Bibobidebibiquéti”, composta por Viviane para seu filho quando ele era bebê.

BIBOBIDEBIBIQUÉTI busca dialogar de forma afetuosa e sensorial com bebês, partindo da especificidade da sua comunicação com o mundo. A dramaturgia, composta por linguagem extraverbal baseada em diferentes estímulos e associações lúdicas, aborda o ciclo de vida ao apresentar a trajetória de Bibobidebibiquéti, um ser gerado pela lua. De fato, não há a intenção de que os bebês identifiquem completamente a narrativa, que se baseia em uma construção dramatúrgica transversal. Dessa forma, cada cena pode ser percebida de maneira lúdica-sensorial ou como parte de uma história mais ampla. Em qualquer caso, por meio de uma atmosfera poética e divertida, os modelos afetivo-racionais de trabalho se comprometem com as transformações culturais necessárias para um desenvolvimento social mais justo e inclusivo.

 

AKIN

Em 2020, uma família de artistas se organizou para ir à Alemanha criar e apresentar uma peça sobre diáspora. Infelizmente, a pandemia chegou e, de repente, a família perdeu não só esse trabalho, mas também todo o seu emprego no Bando de Brincantes. Mesmo em isolamento social durante meses, o desejo de criar arte engajada não desapareceu. Assim, mesmo sem estrutura, a família decidiu fazer uma peça digital experimental para crianças. Foram essas circunstâncias que geraram a ideia de AKIN. A peça foi filmada na sala de estar do pequeno apartamento onde os artistas Henrique Rosa Juguero, Éder Rosa e Viviane Juguero moravam. A edição foi feita com um simples celular. A música original, criada por Everton Rodrigues, mistura instrumentos acústicos com tecnologia e foi produzida em um estúdio caseiro, respeitando o distanciamento imposto pela quarentena.

AKIN é uma produção experimental de teatro digital nacional que aborda o tema da diáspora através de uma linguagem não verbal enraizada numa composição pluriperceptiva e multissignificativa. A trama apresenta a história de Akin, uma criança que, após deixar seu país, se encontra na fronteira de um lugar. Ali, apenas aqueles que se submetem à cultura dominante têm permissão para entrar. A jornada de Akin mostra sua trajetória rumo à maturidade. Revela sua força ao aprender com as diferentes culturas que encontra pelo caminho, em diálogo com sua ancestralidade.

EREMIM

EREMIM é um filme de animação de 90 segundos, sem palavras, voltado para o público infantil, dirigido por Viviane Juguero. A obra retrata a jornada de vida de seis crianças, do útero aos sete anos de idade, refletindo a diversidade racial do povo brasileiro por meio de uma estética inspirada em expressões culturais afro-brasileiras, além de outras influências da nossa cultura.

O título une duas palavras que significam “criança”: erê, um termo afro-brasileiro com raízes nas tradições iorubás, e curumim, do tupi-guarani, uma língua indígena brasileira.

Poético, sensorial e lúdico, EREMIM é um pequeno gesto de amor.

Nota da Diretora

EREMIM nasce do desejo de observar as primeiras experiências da vida sem a mediação das palavras. Do útero à primeira infância, o filme convida o público a perceber o mundo através da sensação, do ritmo e da presença.

Em vez de narrar, o filme escuta — a respiração, o movimento e as sutis transformações que moldam um ser humano. A escolha por uma forma sem palavras reflete o compromisso com uma linguagem mais universal, que possa ser compartilhada entre diferentes culturas, idades e territórios.

Ao mesmo tempo, EREMIM carrega marcas das diversas matrizes culturais do Brasil, oferecendo uma perspectiva que compreende a infância como um espaço de conexão, imaginação, descoberta e brincadeira.

Este filme é um pequeno gesto — uma oferenda — que afirma a beleza dos começos, a diversidade da existência humana e a inteligência poética das crianças.