Peteca, Pião e Pique-pessoa

Bando de Brincantes

apresenta

Viviane Juguero e Éder Rosa

em

Peteca, Pião e Pique-pessoa

Direção: Viviane Juguero

Dramaturgia: Viviane Juguero e Jorge Rein

Peteca, Pião e Pique-pessoatrata da relação com o tempo na atualidade, sem, no entanto, haver referenciais sócio-históricos que localizem o enredo em tempo e local precisamente determinados. Essa característica propicia que a identificação ocorra em distintas realidades socioculturais.  A peça é construída por uma estrutura de metalinguagem que versa sobre a história narrada e o próprio ato de contar histórias, abarcando reflexões, dúvidas e afetos dos narradores em relação com o que contam.  Em cena, Peteca e Pião apresentam a história de Pique-pessoa, alguém que está sempre em busca de uma saída para ser feliz no futuro, sem vivenciar plenamente o presente. A personagem Pique-pessoa é masculina e feminina. É interpretada tanto por Peteca quanto por Pião, que a representam quando vestem a cartola que a identifica. A ideia está vinculada ao dito popular brasileiro “vestir o chapéu”, que significa o ato de identificar-se com a questão abordada. Assim, qualquer pessoa pode se sentir como Pique-pessoa, em algum momento.

A peça é inspirada em brinquedos tradicionais e em formas brasileiras de contação de histórias, associando aspectos do carnaval e da cultura gaúcha da forma orgânica como integram as vivências culturais de nossa região. A intenção é propiciar uma percepção plural de vivências da brasilidade presentes no Rio Grande do Sul, por meio de experiências sensíveis, sem a necessidade de nenhum tipo de explicação didatizante.

Peteca e pião são brinquedos tradicionais, com base nos quais foi construída a movimentação dos atores. Assim, o personagem Peteca associa saltos a movimentações de mestre-sala e sapateados presentes em danças gaúchas e a personagem Pião, associa os giros do brinquedo, aos giros de porta-estandarte e de bailados, também presentes nas danças tradicionais da região sul. Em meio à ação, as personagens jogam peteca, pião, cama de gato, jogos de palmas, ioiô, cavalinho de madeira, boneca de pano, boneco de mamulengos, marionete de madeira e, por certo, brincam de faz de conta.

Peteca, Pião e Pique-pessoatem base no universo infantil, na cultura popular, na movimentação extracotidiana e na musicalidade. Em cena, Peteca e Pião tocam instrumentos característicos da música brasileira, como violão, cavaquinho, pandeiro, bombo leguero e chocalho de sementes, além de flauta, metalofone e objetos sonoros que integram a sonoplastia. Peteca, Pião e Pique-pessoa pretende proporcionar um momento de fruição artística divertido, além de sugerir caminhos para a construção de novas percepções e reflexões.

 

Concepção do espetáculo:

Dramaturgia

Peteca, Pião e Pique-pessoa surgiu com base em uma iniciativa da Associação de Teatro para a Infância e Juventude (ASSITEJ), a qual convidou artistas a refletirem sobre o futuro do teatro para crianças, com base no tema “imagining the future”. Inspirada por esse questionamento, Viviane Juguero concebeu a presente proposta, contando com a colaboração de Éder Rosa e escreveu o enredo original, cuja dramaturgia final foi redigida em parceria com Jorge Rein.  

Antigamente, a dramaturgia respaldava-se em mitos e contos ancestrais, visto que a sabedoria era compreendida como fruto do passado, vinculado ao conhecimento dos anciãos. Nos últimos tempos, a situação se inverteu e a temática passou a ser as maravilhas tecnológicas do futuro associadas à idealização da juventude, ao aumento da produtividade, ao individualismo e ao desejo de prosperar, em um permanente anseio de um porvir melhor. O que podemos desejar para a dramaturgia do futuro? Uma temática promissora, talvez possa ser, finalmente, viver o presente de forma plena e intensa, em situações colaborativas.

Nesse trabalho, existe a intenção de que o processo de vivência do presente seja reconhecido na singularidade afetiva de sua criação artesanal. O objetivo não é idealizar a brincadeira, nem criminalizar as preocupações efetivamente presentes no dia a dia, mas, sim, dialetizar esses conflitos, externando suas contradições, de forma subliminar.

Peteca, Pião e Pique-pessoadá continuidade e amplia um caminho trilhado no Bando de Brincantes há quinze anos: a investigação sobre o universo infantil, a cultura popular, a movimentação extracotidiana e a musicalidade. A peça pretende proporcionar um momento de fruição artística divertido e envolvente, além de sugerir caminhos para a construção de novas percepções e reflexões. Cenas de alegria, tristeza, descoberta, decepção, carinho, dúvida, solidão e cumplicidade integram essa grande brincadeira que pretende dialogar com as crianças sobre o presente, ao vivenciá-lo afetiva e intensamente.

Encenação

Em Peteca, Pião e Pique-pessoa existe a intenção de que o processo de vivência do presente seja reconhecido no aspecto artesanal da singularidade afetiva. Dessa forma, o trabalho foi criado com base em inúmeros brinquedos tradicionais brasileiros. Esta opção nada tem a ver com a idealização desses objetos em detrimento das brincadeiras virtuais surgidas recentemente. Essa polarização seria redutora e pouco afetiva, já que videogames, celulares e tablets integram as vivências emocionais, cognitivas e perceptivas de grande parte das crianças da atualidade. As reflexões críticas são bem-vindas, mas precisam estar associadas a cada contexto, resultando em construções dialógicas que não se respaldem em verdades pré-estabelecidas. Desse modo, distante de incentivar qualquer rivalidade com os brinquedos modernos, Peteca, Pião e Pique-pessoa tem a intenção afetiva de apresentar a novidade de brincadeiras antigas, muitas vezes desconhecidas das crianças da atualidade ou apresentadas de forma tão organizada e didática que perdem o sabor da descoberta. Os brinquedos artesanais revelam a singularidade de cada confecção. O processo emana do objeto e potencializa a percepção de vivências do presente. Além disso, as brincadeiras tradicionais propiciam a integração de diferentes gerações, como pudemos verificar em nossas experiências anteriores, quando plateias multietárias cantarolavam e se identificavam com as cantigas do espetáculo Canto de Cravo e Rosa ou as quadrinhas e parlendas de Quaquarela.

Cenário

O cenário de Peteca, Pião e Pique-pessoa é composto de um baú de madeira (no qual estão diversos brinquedos artesanais que são retirados durante a cena) e de instrumentos musicais, tais como violão, cavaquinho, pandeiro, bombo leguero, etc. O cenário é composto de tons neutros para não haver excesso de informação visual, devido ao forte colorido dos figurinos.

 Figurinos e acessórios

Os figurinos são coloridos e vibrantes e foram criados por Éder Rosa com o intuito de remeter a figuras tradicionais de contação de histórias, mesclando a estética do carnaval a elementos da cultura gaúcha. Vale ressaltar que o trabalho foi criado sem nenhum tipo de financiamento, com base no processo de recriação, ressignificação e reconstrução de materiais do acervo do Bando de Brincantes. Para os acessórios, Rosa buscou trabalhar de forma que a percepção sensorial estivesse associada ao reconhecimento da artesanalidade, em objetos nos quais predominam a madeira e diferentes tipos de tecidos e fitas, além de sementes. Esse processo é um amadurecimento do trabalho realizado por Rosa na criação dos materiais dos espetáculos Quaquarela e Ecos de Cor e Cór, criados com base no mesmo princípio. Cabe salientar que essa reconstrução vem ao encontro do discurso e das práticas de educação ambiental desenvolvidas no Bando de Brincantes, embasadas no afeto e na sensorialidade. 

Trilha sonora e sonoplastia

            A trilha sonora conta com canções criadas especialmente para o espetáculo, com música de Viviane Juguero e letras de Viviane Juguero e Jorge Rein. Os arranjos foram criados por Viviane Juguero e Éder Rosa e a orientação vocal é de Marlene Goidanich. O trabalho dá continuidade à proposta presente em espetáculos anteriores do Bando, nos quais a música integra e constitui a ação, tendo um caráter narrativo essencial ao desenvolvimento da dramaturgia. A música é feita ao vivo, contando com violão, cavaquinho, pandeiro, bombo leguero e chocalho de sementes, além de flauta, metalofone e objetos sonoros que integram a sonoplastia.

Ficha técnica:

Direção: Viviane Juguero

Dramaturgia: Viviane Juguero e Jorge Rein

Enredo original: Viviane Juguero

Concepção original: Viviane Juguero e Éder Rosa

Consultoria dramatúrgica: Cleiton Echeveste

Consultoria Mirim: Henrique Rosa Juguero

Composição de figurinos e materiais cenográficos: Éder Rosa

Músicas: Viviane Juguero

Preparação vocal: Marlene Goidanich

Criação e operação de luz: Miguel Tamarajó

Assistência de produção: Wagner Madeira

Criação de material gráfico: Propaganda Futebol Clube

Fotos: acervo do Bando de Brincantes

Realização e divulgação:

Bando de Brincantes

 

Indicativo de faixa etária: livre

Duração do espetáculo: 60 minutos

 

Breve currículo dos integrantes:

Viviane Jugueroé artista, produtora cultural e educadora. É Doutoranda e Mestra em Artes Cênicas, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS. Juguero é integrante do Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude (CBTIJ/ASSITEJ Brazil) e da ITYARN (Rede Internacional de Estudos de Teatro para Jovens Audiências) da ASSITEJ (Associação Internacional de Teatro para a InFãncia e Juventude). Viviane é idealizadora e coordena as atividades do Bando de Brincantes, coletivo de arte no qual atua como autora, compositora, atriz e produtora, realizando, espetáculos, livros, CDs, oficinas, palestras e trabalhos em audiovisual. Como dramaturga, teve textos para adultos e crianças, encenados no Brasil e no exterior. Em 2018, estreia na televisão com a minissérie de animação “Jogos de inventar”, com produção da Bactéria Filmes.

Éder Rosaé artista do Bando de Brincantes, onde trabalha como ator, acrobata, oficineiro, na criação de materiais cenográficos e na produção executiva. No Bando, atuou nos espetáculos Canto de Cravo e Rosa, Jogos de Inventar, Cantar e Dançar e Quaquarela, pelo qual recebeu, em 2013, o Prêmio Tibicuera de Melhor Ator. Por cinco anos, atuou em escolas de samba de Charqueadas. Participou da equipe de criação de vozes dos personagens da minissérie de animação audiovisual Jogos de Inventar, de autoria de Viviane Juguero e produção da Bactéria Filmes. Atuou em diversos espetáculos do Grupo Caixa Preta e do Circo Girassol, onde também foi educador circense.

Jorge Rein é jornalista, dramaturgo, poeta, ficcionista e tradutor. Possui textos publicados em revistas, cadernos literários, e livros coletivos e individuais, assim como diversas obras de ficção e de teatro premiadas em concursos no Brasil, Uruguai, México e Alemanha. No Bando de Brincantes, realizou assessoria na redação final de versos do livro “Canto de Cravo e Rosa”; criação da versão para o espanhol do livro “O Macaco Bacana”; consultoria poético-dramatúrgica para a escrita de roteiros da minissérie de animação audiovisual “Jogos de Inventar”, todos de autoria de Viviane Juguero, com quem é coautor na dramaturgia de “Peteca, Pião e Pique-pessoa”.

 

Fundamentação artístico-pedagógica do trabalho no link

Estudos brincantes:

http://bandodebrincantes.com.br/?pg=11232

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

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