Proposta geral JOGOS DE INVENTAR TV

A minissérie de animação audiovisual para bebês, intitulada Jogos de inventar, criada por Viviane Juguero, com base no histórico pregresso desta obra da autora, originalmente intitulada Jogos de inventar, cantar e dançar, foi veiculada nas formas de espetáculo cênico-musical e livro/CD, validados por meio de diversas formas de reconhecimento, como os prêmios Açorianos de Música de 2010 e Tibicuera de Teatro de 2012. O livro/CD está em 3ª edição, esteve presente em quatro edições do projeto Eu Faço Cultura e é utilizado em escolas de todo o Brasil.

A criação dos roteiros foi fundamentada nos estudos que Viviane Juguero desenvolve ao longo de vários anos. Nesses estudos, a autora propõe que os trabalhos para crianças sejam elaborados com base na noção de lógica lúdica do pensamento infantil por ela elaborada com o intuito de criar trabalhos artísticos que dialoguem com o pensamento infantil,  instiguem, divirtam e propiciem à criança um envolvimento perceptivo, afetivo e cognitivo.

As cenas que compõem a minissérie acontecem em dois planos distintos: o da realidade e o da fantasia. No espaço “real”, as crianças inventam suas brincadeiras, instigadas por proposições de um livro e por uma amiga imaginária adulta, que surge somente em off. Esse espaço é composto por um tapete e um relógio situados em um local, sem nenhuma caracterização. A partir do giro em espiral do tapete ao centro, as crianças vivenciam aventuras fantásticas realizadas em cenários mais concretamente delimitados, como, por exemplo, uma pracinha, um navio em alto mar ou uma floresta. A intenção é propiciar percepções plurais por meio da ambiguidade desta composição artística.

Foram evitados marcadores socioeconômicos tanto na elaboração das personagens quanto na composição espaço-temporal, como forma de viabilizar uma identificação inclusiva. Há, no entanto, a marca sociocultural regional, apresentada de forma sutil e orgânica.  Na construção das personagens, por exemplo, foram priorizados traços mestiços, enfatizando características afro-brasileiras e ameríndias, além da intencional utilização da construção gramatical das falas de Porto Alegre (segunda pessoa do singular conjugada na terceira), sem estereótipos, mas sim, fluente e natural, como acontece no cotidiano da nossa cidade.

O trabalho instiga a percepção de artes integradas, motivando experimentações sensório-motoras, inventivas e cognitivas, por meio de movimentações e vocalizações extracotidianas. As crianças representam distintos personagens, imitam animais, criam seres e vocalizam objetos, além de, eventualmente, cantarem melodias em conjunto ou em solo.

Embora tenhamos as idades como referências para a construção de um grupo multietário, as personagens não possuem uma relação realista com o desenvolvimento concreto. O trabalho apresenta uma composição artística sintética dos elementos estéticos e axiológicos presentes no conjunto, desenvolvida de forma pedagogicamente responsável e propositiva de percepções, elaborações e experimentações.

Jogos de inventar é um convite para uma grande brincadeira constituída por diálogos imaginários, perceptivos e afetivos.

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